Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Libório e mais um

Agora que parecia a NMJ que o Libório já não estava tão assanhado, dignou-se a aproximar-se da sua cela, ficando a apenas cinco metros e meio e disse-lhe:

-Coff, coff… Prisioneiro Libório!

-Uuuuuuuuui!- Isto foi um grito mesmo estridente e… bicha.

-Já te disse para teres calma nesta história!

-Ah! Oquei. Diga inspector…-uma réstia de decência iluminava agora o discurso de Lili, neste momento apenas um Liborinho.

-Como é que sabe que eu sou inspector?

-Disseram-me… - o gesto de enrolar as madeixas longas do seu cabelo em volta do indicador foi acompanhado de um olhar furioso de NMJ e a madeixa caiu, enquanto a mão esquerda se ia agarrar à mão direita atrás das costas do prisioneiro – Só isso!

-Hum… E está disposto a prestar algumas declarações para ajudar na investigação?

-Hãããã. Tá bem! – este “tá bem” foi quase um agradecimento como aqueles que as mulheres que são salvas por bombeiros ou polícias de situações perigosíssimas e se apaixonam subsequentemente por eles lhe oferecem – Pode ser…

-Explique-me lá então, se faz favor, o que viu na noite em que o prisioneiro Jazelindo fugiu desta penitenciária.

-Ex-prisioneiro, desculpe lá!

-Grrunff! O ex-prisioneiro Jazelindo…

-Ora bem…

Libório disse muitas coisas a Nhanhalaranha. Disse-lhe para usar o número abaixo em termos de camisa que era capaz de lhe “acentuar um pouco mais os lindos ombros”, disse-lhe que assim que viu NMJ lembrou-se logo da cara de mau “daquele detective bonzão daquele filme violentíssimo… o Dick Tracy”, perguntou-lhe se não voltaria lá mais e, em termos de dados importantes para a investigação… nada!
Após um interrogatório mais másculo aos três polícias encarregados da secção C3, apurou que Jazelindo tinha andado mais pensativo do que o habitual nos dias antes da sua fuga. Um dos polícias disse inclusive que lhe parecia mais feliz, sonhador e até um homem mais novo, mais bonito. NMJ olhou-o de lado e entregou-se a uma contagem até dez interior, após o que lhes disse:

-Muito obrigado!

Dirigiu-se então ao seu escritório e pensou…

Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

Não devia começar a haver acção a sério!?

Não pareceu por demais evidente a NMJ que a misteriosa coincidência de o “mestre do assalto absurdo” estar exilado em França e ter havido o “acrescendo” na loja da Madame Zulmira era uma não-coincidência… Ora, veio a Aljustrel porque lhe pareceu giro visitar o estabelecimento prisional de onde o anteriormente referido criminoso tinha escapado.

Nhanhalaranha era de facto um pouco ridículo.

A camisa que trazia nesse dia condizia com o carro que conduzia (cacofonia, hã, hã, hã?). Azul e rosa, com palmeiras rosa e fundo azul melhor explicando, era uma das suas favoritas. Os comentários que de vez em quando ouvia na rua, agora que tinha mudado de visual deixavam-no contente, pois julgava ser apenas pura inveja sob o estado de ofensa verbal. O que o deixou preocupado foi que na penitenciária de Ajustrel, uma vez entrado e deixado à vontade pelos guardas, o indivíduo que se via claramente ser o iniciador dos novos prisioneiros na arte de bem-amar-na-prisão, ou melhor dizendo “o ir ao castigo” se meteu com ele. Toda a gente percebe o estilo, não é? O tal indivíduo tem sempre uma rede para segurar os cabelos mais femininos da prisão, fuma com a mão ligeiramente inclinada… tombada, pronto… essas coisas todas!
Libório, como mais tarde se perceberia ser o nome dele se não fosse revelado agora, virou-se para NMJ e disse:
-Linda estampa, hein? Ficas com o rabinho todo realçado, pareces um patinho Donald… que riqueza. E essas cores, uiiii, as minhas preferidas! Não queres vir fazer uma visitinha aqui ao Lili?
NMJ corou um pouco, o suficiente para Libório reparar na nuca enrubescida…
-Ai, amor! Não me digas que ficaste acanhado… Deixas-me tão louca!
O co-autor acha que o inspector ficou acanhado. Mas Nhanhalaranha ficou foi fulo, intimidado, irritado, acanhado, surpreendido, mais-esclarecido-sobre-o-seu-estilo, acabrunhado e, em resposta a estas sensações todas, mostrou o dedo médio da sua mão direita, com os outros todos encolhidos… o célebre manguito.

Nota: Atenção! O caro e fidelizado leitor poderá achar que este episódio não é mais do que um baixar de nível do blog inteiro, uma queda no ordinário, comum e brejeiro… sim.

Libório, mais excitado ainda, lançou-se às grades da sua cela, estranhamente habitada apenas por ele, arrancou a sua t-shirt branca típica de um prisioneiro e começou a humedecer os mamilos com os dedos indicador e polegar da mão correspondente! Nhanhalaranha disse-lhe apenas isto:
- Estás-me a estragar a história! Neste momento está toda a gente a pensar no que vais fazer a seguir e isso irrita-me, tira-me protagonismo, percebes, ó Libório!!!???
- Sim, tens razão… de facto devia limitar-me ao mero figurante que sou…

E, de repente, Libório parecia apenas um pouco efeminado, sentado na sua cela a ler a Cosmopolita, sem rede no cabelo mas com o mesmo comprido, e sem cigarro também… Nhanhalaranha estranhou, mas gostou.
Prosseguiu então a busca pela cela anteriormente ocupada por Jazelindo e, quando chegou a uma completamente vazia, mas vazia… vazia (uma cela tem geralmente a retrete, o cama -estrado de madeira rebatível- e, eventualmente uma bacia, aquela não tinha nada), encontrou o chão limpo, imaculado, sem um grama de cotão, as paredes sem o mínimo risco, joaninha ou aranha, as janelas brilhantes de tanta luz que passava sem o típico filtro bio-fílmico de todo o género de porcaria que fosse mais leve que o ar e subisse, portanto. Tudo, limpo. Não havia retrete, cama, correntes que anteriormente prendiam a cama, ganchos, buracos dos ganchos, posters de mulheres nuas (ou de homens musculados de calças rasgadas no caso de Lili), posteres de carros, marcas a indicar os dias ou semanas ali passados, prateleiras, nada. Acho que já deu para entender... Tijolo dos três lados, grades à frente e betão no tecto e chão.
Jazelindo fugira dali.
GM

Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

Aljustrel e pronto!

Em Aljustrel ou não, vendo o Arséne Lupin ou, mais apropriadamente, Os Amigos de Gaspar (anos 80, anos 80, anos 80), Jazelindo sempre foi perigoso...

E pronto...

GM

Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

Aljustrel essa bela localidade...

Concelho de Aljustrel, localizado no Baixo Alentejo, com cerca de 10567 habitantes em 2001, espalhados por 5 freguesias, segundo dados recentes, conhecido pelas suas minas de pirite (ouro dos tolos), neste tempo, claro, ainda uma aldeia. Foi o berço de um dos mais perigosos e brilhantes assaltantes de Portugal, Jazelindo Urtiga; mais conhecido na terra pelo Zig-Zagui ... Isto por que certo dia, traumático por sinal; Jazelindo saia do seu habitual ensaio de cantares Alentejanos, Grupo de Cantares alentejanos Nova Aurora – Nota de autor: apesar das parecenças desta denominação “Nova Aurora”, com qualquer outro ajuntamento de fanáticos religiosos; mais frequente nos Estados Unidos, apelidado de seita; é pura invenção, visto que este grupo tem a sua sede em Aljustrel e o que eles fazem realmente é cantar... Dito isto prossigo...
Certa noite, uma 6ª feira, saia Jazalindo dos ensaios, quando é abordado por um individuo de raça negra, bastante bem constituído, para quem só come farinha de mandioca; que lhe dirige o seguinte comentário:
- Xé, comé, tu tem mortalha?
- Não lamento imenso, mas não posso ajuda-lo, visto que não sou consumidor habitual de papel de arroz, além disso, fumar mata...
- Xé tu tá cum tangas?
- Não meu caro, tenho umas calças de ganga vestidas, não sou pessoa que goste muito dessas modas... (note-se que aqui, ainda Jazelindo, se expressava correctamente, e não trocava erres por esses.)
- Bandungo, vêm aká...Vamo roubá este branco estúpido... (individuo negro a chamar um companheiro que estava a poucos metros deles)
Ouvindo isto... Jazelindo, liberta-se do seu interpelador, e começa a correr em esses, ou Zig-Zagues, como queiram...
Não estando à espera desta acção por parte do assaltado, o esbléqui, pega numa arma que tem no bolso, slingshot, fisga, e usando pedras de flor de sal do Algarve, começa a bombardear o pobre do Jazelindo... Que correndo aos esses, vai escapando por entre a rajada... salgada... (e porquê o sal? Não faço ideia, perguntem ao agressor...)
Mas por ironia do destino, e não sabendo bem como, uma pedra de sal bate numa telha solta, que vai cair-lhe em cima do pé; com isto, e por bem educado que era, berra bem alto... da ssssssssssssssssss, já me lixas-te um pé; talvez por esta quantidade enorme de consoantes, e por ter mordido a própria língua, nunca mais conseguiu pronunciar os erres, passando assim a falague, difeguente das outeguas pessoas...
Lá na terra todos o conheciam, o seu pai trabalhava nas minas, e a sua mãe era doméstica, mas fazia uns biscates como arrumadora part-time junto ao centro de saúde lá da zona. Apesar de pobres deram uma boa educação ao seu filho, que frequentava todos os locais de recreação dos mais novos, tipo ATL’s e tempos livres do género; sempre com muita vontade de aprender, parava muitas vezes na casa do seu amigo Virgulino, o único na aldeia a ter televisão... Ai juntos assistiam aos desenhos animados que passavam na altura na TV, tendo sempre como favorito, o seu herói Arsene Lupin – Arsénio Tremoço, em português – que sendo o melhor no ramo, nunca era apanhado... Jazelindo Urtiga, brincava com o seu amigo, um dia queria ser como o seu herói, roubar tudo, e nunca ser apanhado...
Mal sabia ele que Arsene Lupin era o seu futuro tirado a papel químico... BR

Quarta-feira, Dezembro 08, 2004

Um Novo Dado, Mais Um...

Nhanhalaranha Malarranha Jones saía do seu gabinete, agora dirigindo-se para um restaurante qualquer, onde pudesse jantar e seguidamente voltar à sua labuta mental de resposta às perguntas do post anterior.

Mal se apercebeu de uma movimentação estranha de uma quantidade enorme de gente mais escura do que brancos caucasianos e vestida com largas e extensas roupas, de cores neutras, que se acotovelavam para entrar num estabelecimento com um grande quarto crescente branco sobre fundo verde seguido da palavra Donald’s. Era a abertura oficial da primeira unidade de Meca Donald’s em Portugal.
Uma segregação da cadeia que tinha surgido na Arábia Saudita pelas mãos de um antigo proprietário de um restaurante para trabalhadores de minas, Salam Elaf Donaldali que se via a braços com o trabalho exaustivo de servir clientes que tinham dez minutos de almoço e que eram depois arrastados para as minas outra vez por Salam Al Sheiks, Abus e Alis de adagas curvas na mão. Este agora empresário, antes proprietário cansado e desesperado de restaurante que só servia entradas, decidiu-se por criar um conceito novo de restauração, baseado em produtos pré-cozinhados, que se aqueciam e serviam na altura, todos de acordo com os preceitos moçulmanos de refeição sagradamente abençoada.
Assim, bem como congeladores e arcas frigoríficas de grandes dimensões e inovação tecnológica quase espacial para a altura, comprou/contratou três Barbudos-Com-Ar-Colegial-e-Citações-do-Corão-na-Ponta-da-Língua estagiários que abençoavam a comida logo que estivesse pronta a levar para as mesas dos clientes, em tabuleiros de dimensões moderadas e que comportavam geralmente uma bebida de dimensões pre-definidas, uma caixa de plástico descartável com cores garridas e letras àrabes muito catitas com pão ázimo onde se encontrava uma fatia de carne ou peixe com um molho secreto. Toda esta carne/peixe era, enquanto animal, sacrificado por um talhante halal, é favor não descurar este pormenor.

Regressando a Nhanhalaranha, observemos o nosso protagonista a apertar os atacadores dos sapatos, enquanto o fio narrativo não o enlaça mais uma vez...

Momento ternurento.

Agora, o personagem percorre uma rua estreitíssima que sabe ser um atalho para o sumptuoso Tavares Rico. Restaurantíssimo da alta sociedade onde foi uma vez proibido de entrar por levar a gabardine levemente suja com uma nódoa simples de baba de sagui, Nhanhalaranha tinha o hábito de, sempre que podia passar por perto da porta deste estabelecimento, parar em frente à mesma, olhar a ementa com um ar de desprezo e, abrindo a porta sorrateiramente gritar “TÁ FRAQUINHO!!! VOU COMER A OUTRO LADO!!!” após o que, inundado de uma felicidade quase infantil, se dirigia um pouco mais acima e almoçava ou, neste caso, jantava, numa das tabernas mais rascas e desgraçadamente portadoras de apenas “prato do dia x” num quadro de ardósia colocado no passeio em frente da entrada.
Nhanhalaranha sentia-se bem e a refeição sabia-lhe pela vida...

Eis senão quando, ao agarrar uma patanisca de bacalhau para a levar à boca, o pivot do Jornal da Noite dispara, em jeito de notícia de ultima hora “Já se sabe o paradeiro de um dos homens mais perigosos e perturbadoramente brilhantes da história do crime em Portugal! Jazelindo Urtiga, encontra-se em França, ao abrigo de uma proibição de extradição de criminosos procurados, recentemente aprovada no Eliseu, o parlamento francês. Foi divulgada hoje uma gravação vídeo da qual peritos da PSP extrapolaram a veracidade e autenticidade do comunicado e a correspondência com a voz e imagem arquivadas de Jazelindo. Passemos então à gravação: “Pogtugal vai sofgeg pelo que me fez! Finalmente escapei da pgisão e vou atogmentag todos aqueles que me tigagam tgês anos da vida! Não descansaguei enquanto não me pediguem pegdão pelos actos hediondos a que fui submetido na penitenciáguia de Aljustguel! Vou lidegag daqui mesmo uma guede crguiminosa que pogá Pogtugal em sobguessalto e que vai fazeg de mim um dos homens mais impogtantes da históguia do cguime mundial!!! Temam pogtugueses e pogtuguesas, eu estou de volta... Buahahahah, Buahahahahahahah!!! Buahahahahahah...” A emissão da cassete foi interrompida num momento em que parecia que Jazelindo Urtiga ia respirar para mais três gargalhadas.
Os outros comensais da taberna “O Pipas”, que tinham voltado ou soerguido as cabeças para prestar atenção visual à emissão voltaram novamente as cabeças para os seus pratos e continuaram calmamente a refeição. Nhanhalaranha, no entanto, ficou em sobressalto. Jazelindo Urtiga? O Jazelindo Urtiga? O homem que tinha assaltado três caixas fortes de bancos de renome na zona de Penaferrim e levado apenas o cadeado de cada uma? O homem que era temido pela imprevisibilidade do fim de qualquer crime que cometesse? O homem que trocava os “erres” pelos “guês”? O homem que não roubava mas apenas humilhava? Só podia ser ele... Mas como escapara da prisão?

Assim que acordou, no dia seguinte, NMJ foi de carro azul e rosa directo para Aljustrel...

GM

Domingo, Dezembro 05, 2004

Jean, do Louvre

Aeroporto da Portela, manhã seguinte...

“Senhores passageiros, informamos com todo o gosto, carinho, mas com alguma preocupação que o vôo da Tiess com destino a Moreira de Cónegos não se realizará dentro das próximas 4 horas por motivos alheios à nossa companhia. Ao que tudo indica a aeronave está a descrever círculos ininterruptamente na pista de descolagem e ninguém consegue contactar o piloto ou qualquer outro membro da tripulação estimando-se o tempo de atraso tendo-se por base a quantidade de nafta de que o avião dispunha no início da deslocação.
Pedimos aos amigos e familiares dos passageiros que se mantenham calmose reajam de forma ordeira e controlada ao seguinte pedido: “Voltem dentro de algumas horas!”.
E não se esqueça, com a Tiess, yes!!!”

Felizmente, o mais que prestigiado Jean veio até Portugal num vôo da TAP e os atrasos desta companhia nunca excedem as três horas. Assim, por volta do meio-dia e meia, com um ar enfastiado, anjoado, de desprezo puro em relação a tudo oque representasse aos seus olhos uma fragmento da boa da nossa pátria, chega aos nossos interiores narrativos o director do museu do Louvre.

Nhanhalaranha estendeu o braço de mão voltada para o seu lado esquerdo e imediatamente lhe foi colocado um saco de desporto na mão, enquanto lhe era dito um sincero “merci” de boas-chegadas. O inspector nunca perdia a compostura e limitou-se a levar Jean Bijou ao seu carro (quase lhe pareceu ouvir um abafado “hein!?” quando lá chegou), ao seu escritório e à sua peça-chave do seu último mistério por seu desvendar (esqueçam o último pronome possessivo).

“Sagrado-Coração!” – disse Jean – “Isto é magnífico!” – (nota do co-autor: isto é tradução livre de “Sacre-Coeur! Ça c’est magnifque!”, juntamente com todos os diálogos em que participe Jean até ao final da história. Um pouco por patriotismo, um pouco para mostrar que a língua francesa tem expressões tão estúpidas como os nossos “bolas”, “raios me partam” e “caraças”, muito por inépcia do co-autor)
- É, é. Sem dúvida.
- Mas isto está melhor pintado que o próprio original. Repare no sfumatto, bem suava mas pronunciado, nesta expressão ainda mais enigmática, nas mãos! Ah, estas mãos!
- Pois, pareceu-me exactamente isso, por isso é que o chamei...
- Pelo quê?
- Por isso tudo!
- As mãps, o sfumatto, o sorriso?
- Sim, exactamente, isso tudo.
- Mas você é um conhecedor de arte?
- Eeerhhh... é! Sim... pode-se dizer que sim...
- Bom, bom, inspector.
- ...
- ...

O silêncio que se seguiu foi dos mais embaraçosos que o fiel e dedicado leitor pode imaginar. Daqueles que nos parecem durar uma eternidade mas que duram realmente mais! Silêncio espesso, penumbra transparente, dura e de certa forma impossível de rebater, ou cortar, rasgar, um talo eterno e de pedra pelo qual nenhuma faca passará... (sorry!). Um silêncio mesmo grande!
Na realidade, nem Nhanhalaranha nem Jean sabiam porque estavam os dois na mesma sala. Nem nós, co-autores, sabemos...
Às 18h25, Nhanhalaranha está em Paris e Nhanhalaranha está no Martinho d’Arcada. Jean Bijou pensava na estupidez da viagem a Portugal e Nhanhalaranha na combinação maravilhosa do sabor do absinto e das nozes.
Estavam os dois deslumbrados!

- É verdade, Dona Zulmira parlapatchim baribá Belize, o quadro é mesmo uma réplica perfeita, exactamente como lhe tinha dito no post nº11!
- Fantástico! E já chegou a alguma conclusão relativamente a quem, quando, porquê, etc?
- Não, nada a que não tivesse chegado antes.
- Fantástico! E precisa de mim para alguma coisa?
- Não.
- Fantástico... Então porque ligou?
- ... (3 segundos aproximadamente) - Tchoc! (barulho do auscultador do telefone a ser devolvido ao descanso)

Algures dentro do cérebro do inspector...

Começo a achar que sou um autêntico personagem cómico! É só parvoíces. Então agora ando para aqui de gabardinde cinzenta e chapéu de aba com fita preta? Que palhaçada! Pareço o Dick Tracy...

A partir daqui, caro leitor, sempre que imaginar o inspector Nhanhalaranha, pedimos-lhe o favor de o fazer de um modo ligeiramente diferente. Aliás, pode mesmo associar a figura dele a João Loureiro, um ícone da época, vocalista dos Ban... Vestido como na altura, por favor.

Só havia realmente uma maneira de aspirar a saber quem tinha acrescentado as duas relíquias à joalharia da Dona Zulmira. Pensar!
Estará por detrás deste hediondo crime um indivíduo ou uma organização?
Serão profissionais ou simples amadores?
Por onde entraram?
Como saíram?
E porquê este delito isolado?

GM


Quinta-feira, Novembro 25, 2004

Um sagui para ti, um sagui para mim...

Ainda no escritório do inspector Nhanhalaranha, algo no espírito deste intrigante e profundo personagem se começa a inquietar...
A vaga memória de momentos anteriores, em que viu um sagui a percorrer uma edição d'O Borda d'Água e pegar-lhe nos óculos, apontando-os de seguida a um plano de construção de uma maquinaria com semelhanças a um relógio, percorre-lhe rapidamente o cérebro e ele depara-se com o mesmo animal, quase sentado, a olhar com um ar demasiado sério para ele.

...o impulso, após um longo olhar simio-humano e descendente-ancestral de volta, foi um simples tabefe na zona do focinho do sagui que corresponde ao que poderia ser uma bochecha direita...

Após este simples tic-tac-tic do relógio, Nanhalaranha respirou de alívio e esfregou o olho direito enquanto observava o animal assumir uma atitude mais simiesca, fugindo para baixo da máquina do café, a par do retorno a um olhar sem expressão típico de um bicho sem QI. E o caro, atencioso e ilustre leitor também!

Algumas golfadas respiradas e QI’s devolvidos depois...

- Não me cheira.
- Não te cheira?
- Epá, não!
- Mas como é que isso é possível?
- Não me cheira, já disse!
- Bem, isso anda mal... sente-se daqui.

Nhanhalaranha passeava junto ao Teatro D. Maria II enquanto ouviu estas palavras, proferidas por um jovem que aparentava cerca de 15 anos e a quem não lhe cheirava e por um quase-homem de fato e gravata, com cerca de 25 anos que mostrava ao anterior uma manga do seu smoking, de impecável corte, e a quem espantava deveras o facto de ao outro não lhe cheirar.

Continou a andar, agora já mal ouvindo a conversa mas percebendo vagamente um conjunto de sons que lhe soou como “caca de pombo”.

Ao passar junto à Pastelaria Suiça, já perfazendo um ângulo de 90º em relação ao percurso que efectuava enquanto se apercebeu da conversa acima transcrita, infiltrou-se na fila para o autocarro cento e qualquer coisa, mostrando o seu distintivo de oficial de investigação privada, muito semelhante a um qualquer distintivo de um qualquer posto hierárquico da Polícia Judiciária, e sentou-se num dos bancos da frente do laranja e fumarento pesado de passageiros. Ao chegar ao início da Avenida da Liberdade, ainda mal o autocarro tinha ganho velocidade mandou-o parar e desceu rapidamente, indo a correr para o outro lado da estrada e apanhando o autocarro cento e qualquer coisa igual ao anterior que se dirigia precisamente no sentido contrário ao que percorria anteriormente e percorreu cerca de 300 metros até à Rua do Ouro. Aproximadamente a meio saiu mais uma vez, dirigiu-se ao gigantesco elevador onde hoje em dia os cafés custam 3€ mas por essa altura deveriam perfazer uns 100 escudos e escandalizar muita gente também, comprou um bilhete, subiu, olhou para todos os lados e desceu imediatamente após a chegada da segunda remessa de passageiros.
Quando saiu pela porta engradeada deslocou-se a uma marisqueira e tomou tranquilamente um almoço composto por uma entrada de salada de grão e uma sobremesa de arroz doce, após o qual pagou a despesa e saiu.

Felizmente em Lisboa sempre houve muito pouca gente a reparar nos passos, olhares desconcertados e entradas e saídas em autocarros dos outros.

GM

Projecto desenquadrado...

Na joalharia...
Descrita a cena do café, voltamos ao local do crime, a joalharia “na esquina”; onde, já no interior, a dona Zulmira, encaminha o inspector para o cofre, com o objectivo de analisar os factos, e também as magnificas obras que ali apareceram.
Levando as mãos aos bolsos, o inspector retira uma par de luvas de látex, para que não elimine qualquer prova relevante para o caso.
Pega directamente na edição do Borda d’água e folheia-a rapidamente procurando encontrar algo que ligue esse objecto com os outros, repara de relance numa página que mostra uns planos para a construção de um qualquer objecto, mas no entanto não liga, continuando a passar as páginas.
- Dona Zulmira, vou pedir-lhe para levar este exemplar para minha casa, a fim de o analisar mais detalhadamente...
- Relativamente ao quadro, é necessário contactar o Louvre e saber se é este o original, ou é apenas uma cópia; em todo o caso não deverá ser o original visto que não foi alvo de noticia qualquer roubo recente ao museu.
Aproximando-se do quadro, sente um ligeiro odor a tinta de óleo ainda fresca...
- Tal como eu suspeitava, não é o original, mas como é possível fazer uma copia tão fiel?
- Posso usar o seu telefone?
- Concerteza inspector, siga-me por favor...
Dentro do seu casaco, algo se mexe, concerteza o seu sagui de estimação, no bolso lateral esquerdo espreita uma cabeça peluda com curiosidade, que rapidamente volta a desaparecer...
- Chiu... está quieto, tenho um estranho precentimento, não te mostres...
Precisamente no bolso oposto ao do seu bichinho, está o seu telemóvel; que fez questão de não o utilizar, visto que pretende que a dona Zulmira não saiba que o possui...
Como é que aqueles objectos vieram parar a esta joalharia? E o background desta Zulmira? Qual será o interesse em arte? O borda d’água, porque razão? (suposições que o inspector coloca a si próprio)
Dirige-se ao balcão seguindo Zuzu, que pega no auscultador e lhe passa para a mão.
- Aqui tem inspector.
- Obrigado
Rapidamente o inspector digita um número bem conhecido de todos...
Dial 118... Exactamente, a linha de informações da PT
- O número do director do museu do Louvre em Paris por favor...
É claro que a PT não tem este tipo de contactos, o inspector fingira que lhe tinham dado essa informação e aponta num bloco de papel um número...
Dial... ------------ Pois o número do director do museu.
- Allô, c’est monsieur Jean qui parle ?
- Oui, c’est moi qui est lá ?
Agora em português... (supostamente eles trocam impressões em francês)
- Sou o inspector Nanhalaranha M. Jones que fala de Lisboa
- Olá meu caro em que posso ajuda-lo?
- Senhor Jean, de momento estou embrenhado num caso bastante difícil, a Mona Lisa de Leonardo está aqui em Lisboa, no cofre de uma joalharia...
- Deve estar a gozar com a minha cara meu caro amigo; o quadro está são e salvo na sala dos Estados aqui no museu.
- Muito pelo contrário, este assunto é muito sério, é exactamente por isso que eu acho estranho, porque razão estaria aqui uma cópia tão perfeita do mesmo? Pode vir cá ver com os seus próprios olhos Caro Jean, tenho a certeza de que concordará comigo.
- Muito bem, ai estarei amanhã por volta das 8h.
- Terei muito gosto em ir busca-lo ao aeroporto meu amigo, até amanhã.
- Um abraço e até amanhã
Clic, pousa o auscultador no descanso..
- Dona Zulmira, tem que fechar a joalharia... Não comente o assunto com ninguém, amanhã cedo estará aqui um perito para analisar o quadro. Entretanto irei para casa examinar mais detalhadamente o exemplar do borda d’água.
Dizendo isto, pega num saco, e ainda com as luvas, acondiciona o dito livro no mesmo.
- Obrigado e até amanhã
- Obrigado por ter aceite o caso inspector, até amanhã...
Mais tarde já no escritório do inspector, que também é laboratório de analises, sala de estar e afins...
- Meu bichinho, ora vamos lá a ver o que se passa com este almanaque...
Folheando novamente, chega ao tal ponto onde já tivera passado com os olhos anteriormente... Os planos para a construção de algo...
- Não achas estranho bichano? O que fará aqui este projecto? Num manual de agricultura e colheitas.... Hummm
- Não se percebe bem o que é...
O sagui anda sobre o almanaque agitado, parece que tem algo que quer dizer ao inspector... Num movimento rápido retira-lhe os óculos e coloca-os contra o pelo...
É então que o reflexo dos mesmos, agora funcionando como espelho improvisado, revelam algo de muito estranho...
- Boa meu detective símio... Descobris-te algo...
Pega nos óculos e aconchega-os novamente à face; abrindo a gaveta da secretária, retira um espelho e começa a ver o que realmente está escondido...
- O que é isto? Parecem planos para a construção de uma espécie de relógio solar... Muito estranho.
- Os relógios solares não têm tantas peças, isto parece-me algo que certamente um mestre joalheiro conseguiria fazer sem grandes dificuldades...
- E estes símbolos? Tens alguma ideia relativamente à sua representação? Nem eu...
Olhando bem, também eu acho estranho este plano, fico com duvidas relativamente ao propósito do objecto... E porquê estarem numa joalharia numa qualquer esquina em Lisboa?...
Será que o nosso inspector vai descobrir? Fiquem colados, não percam o próximo capitulo...com mais acção. BR

Terça-feira, Novembro 16, 2004

Comunicado de ultima hora

A uno de los co-autores le gustaria hacer una pequeñita ressalva para informar todos los atentos y fidelizados lectores de que el pisce-gato, anunciado como una de las vedetas de este blog en el rabula nº 2, se quedó muerto.
Esta tragédia me causa una infinita tristeza...
El pisce-gato, muerto.
Muerto.

Por honrar la memória de este fabuloso animal, respecharé un período de luto, no-escrita, de 24 horas...

Fin del comunicado.

GM

Sexta-feira, Novembro 12, 2004

No, no! The plot really starts here!

Como se calcula, não é muito comum, nem mesmo para uma criadora de jóias do mais alto calibre, entrar um dia na oficina respectiva e encontrar "La Gioconda" e a primeira edição d'"O Borda d'Água", especialmente na mesma parede!

Para os casos mais bizarros e distorcedoramente perturbadores da consciência do cidadão normal só se conhecia um inspector em toda a Grande Lisboa e Zuzu não hesitou um só segundo em deixar a loja fechada com um aviso "Encerrado Para Férias Até À Solução do Fabuloso Mistério da Gioconda e da Primeira Edição do Borda D'Água Que Ocorreu Neste Estabelecimento" e em telefonar para o 953535333 que todos os possuidores de património valioso ou apenas estranho devem incluir na lista do telemóvel.

Uma voz entorpecida causada por uma actividade incessante desde o acordar até ao novo adormecer de tentar recuperar o sono que se poderia estar a gozar enquanto se pensa nisso respondeu do outro lado da linha, ou do satélite:
- Inspector Nhanhalarranha. Em que posso ser-lhe útil?

30 minutos mais tarde, ou melhor 32 minutos mais tarde, Nhanhalarranha estaciona o seu Toyota Sprinter Trueno pintado de azul clarinho e rosa clarinho, comprado à Xau na última renovação da frota e que ainda não tinha sido repintado exactamente no local combinado de encontro com a Dona Zulmira Pineti da Silva Costa Beneira Belize. Para não puxar muitas suspeitas evitaram encontrar-se na loja, agora com um letreiro de tamanho impressionante e optaram pelo café onde Fernando Pessoa (muito, mas muito parecido com o inspector, o que ocasionava sempre episódios de cariz muito particular quando alguém já mais enfrascado via o mesmo, olhava seguidamente para a foto de Fernando Pessoa a beber absinto e voltava a olhar para o inspector a beber absinto acompanhado com nozes rechonchudas) diminuia ainda mais a percentagem de sangue no seu álcool, vulgarmente conhecido como Martinho da Arcada.

Uma mulher do status social de Dona Zulmira parlapapira Belize não se sentia confortável com o local escolhido para o encontro mas tentou não denotar isso mesmo aos olhos dos clientes enquanto se esforçava por não tocar com o vestido Geovanni Galli nas mesas um pouco humedecidas e a tresandar a álcool e se acomodava como podia num banco de madeira sem encosto. Foi uma tentativa frustrada mas a conversa começou.

- Inspector Nhanhalarranha, desagrada-me um pouco ter de ter esperado por si nesta imundície a que chama café.
- Perdão, gentil e graciosa senhora Dona Zulmira... Ó FAXAVÔR! TRAGA-ME O HABITUAL!!!
Como lhe dizia, o trânsito nesta cidade está cada vez mais caótico e no carro estava a dar a última dos Ban... não resisti. Mas falemos de coisas bem melhores e mais interessantes. O que a leva a querer falar comigo?
- Bem, vou directa ao assunto. A minha loja foi “acrescentada” – ao proferir esta palavra Dona Zulmira falou exactamente como se falava na Confraria dos Pastéis acerca da ascensão hierárquica d’O Homem com Sombra de Camarão estar relacionada com os seus gémeos -!
- O quê?
- Foi “acrescentada”.
- Hã?
- Inspector! Adicionaram dois objectos rarissimos à decoração da joalharia “da Esquina”...
- Não estou a perceber.
- Oiça, hoje quando cheguei à minha adorada loja, deparei com o quadro “Monalisa” e a primeira edição d’”O Borda d’Água” pousada na minha cómoda Luís XIV e pendurado na parede, na ordem inversa claro...
- Hum... Isso é deveras complicado. Pendurarem-lhe o”O Borda d’Água na parede e pousarem-lhe “La Gioconda” na cómoda... – O Inspector tinha uma forma de trato e um tom de voz muito peculiares que faziam as maiores estupidezes do mundo soarem a citações do blog do Pacheco Pereira. Uma espécie de timbre do Frank Sinatra com o charme do Marlon Brando e do Clark Gable juntos... Era complicado refutar o que ele dizia mas a Dona Zulmira estava parva com a afirmação que ouvira na mesma – Será uma forma de Satanismo?
- Inspector Nhanhalarranha Malarranha Jones! Você esteve a beber? “La Gioconda” está pendurada na minha parede e “O Borda d’Água” pousado na minha cómoda Luís XIV! O que está a dizer não tem lógica nenhuma!
- Pois, tem razão. Você mexeu, portanto, nos objectos que lhe foram “acrescentados”... Não devia ter feito isso. Eu nunca penduraria uma edição d’”O Borda d’Água” ou pousaria “La Gioconda” numa cómoda Luís XIV também mas apenas se fossem objectos meus e eu pudesse tecer opiniões estéticas sobre os mesmos. Nunca, mas nunca se mexe em objectos “acrescentados”!!!

Dez minutos mais tarde, com as nozes e o absinto, a mente do Inspector foi-se aclarando e conseguiram encetar uma conversa com lógica.

- Temos de verificar o local do crime...
- Valha-me Deus! – disse a Dona Zulmira com um semblante preocupado a olhar para o Inspector enquanto este se levantava e dava duas voltas à cadeira à procura do guarda-chuva que tinha pendurado no cinto da sua gabardine que fugia ao seu ângulo de visão com uma audácia quase humana... bem, quase humana de alguns humanos.

Na joalharia...

GM

Domingo, Novembro 07, 2004

The plot start's here...

Por muito certo que seja um diagnóstico do professor Bambo; (Yeah right !), existem sempre lacunas, visto que a medicina alternativa não é a resposta para toda a gente. Neste caso podia ter simplesmente receitado ao Homem com sombra de Camarão, um chazinho de camomila ou cidreira; mas agora sagui guisado recheado de trufas? Isso não é medicina alternativa, tem mais nome de prato derivado de cozinha indiana feita nos subúrbios perto do Ganges. Contudo, por muito que pensemos nisso é a única solução encontrada para ajudar o Homem com sombra de Camarão.
É por esse mesmo motivo, que se gera um conflito entre o nosso inspector e este personagem; que se encontra em desespero em busca de um sagui para meter no tacho, sim porque trufas já ele tem... E como raio sabe ele que o bicho de estimação do inspector é um macaco marado desses da América Central, que não mede mais do que 20 centímetros e pode ser alcoólatra? Pois bem, todos vós conhecem as chamadas revistas cor de rosa, certo? Foi um dia na “Flash” (passo a publicidade), que o Homem com sombra de Camarão viu uma fotografia do inspector com o seu bichinho querido... Foi então que a partir dai se dá inicio a uma caça obsessiva, com o objectivo de capturar o sagui e meter o dito no tacho... No price is to high… The hunt start’s now…
Entretanto na Bat caverna...
- Hoops isto não é daqui, é do batman... (gajos em colants! Arrrggg)
- Cof cof cof cof – Narrador aclarando a voz.
Entretanto num escritório com vista para a cidade de Lisboa... O do inspector...
Alguem anda às voltas preocupado com mais um caso.
A joalharia “da Esquina” foi assaltada; ou melhor acrescentada; estranho? Passo a explicar: 8:00h da manhã, rotina diária da Dona Zulmira, que começa por abrir a sua joalharia “na Esquina”; (A expressão “na Esquina”, pretende definir uma localização indefinida no espaço que se encontra algures por Lisboa... Pá mas tá lá ya..!); por fazer uma pequena arrumação nas montras e verifica o cofre, para se certificar de que está tudo em ordem para mais um dia de trabalho... But, in that morning, something wasn’t like the usual; Algo estranho se tinha passado durante a noite, pois estavam exibidas pegadas com uma forma muito peculiar em frente à entrada da joalharia “na Esquina”... Isto não deve ser nada, pensa a Dona Zulmira, mais algum sem abrigo que passou a noite a dormir junto à porta... Mas quando chega o momento de verificar o cofre, então surgem as questões. Ao abrir a porta, a Dona Zulmira depara-se com algo fora de serie, nada que se pudesse imaginar...de tamanha hiperbólica bizarria, que até Zuzu (Tratada assim pelos amigos) sentira um arrepio na sua espinha dorsal, mais corriqueiramente apelidada de cruzes... Na parede lateral esquerda a 30º a contar do canto superior direito, estava pendurado o “Quadro” mais famoso do mundo, nem mais, (para todos aqueles que adoraram ler o Codigo Da Vinci de Dan Brown, cá vai um mimo do autor)... La Gioconda, ou Mona Lisa... É pá isso não tava no Louvre? Não, está na joalharia “na Esquina”... e bem mais ao centro sobre uma cómoda de embutido de ébano, cedro e mogno, Luís XIV, um velho manuscrito com um ar bastante gasto pelo passar dos séculos...A primeira edição do Borda d’água....
Pois é e fica um cheirinho a mistério, a não perder o próximo capitulo... Fiquem atentos... BR

O background da Dona Zulmira:

Pois ela é uma importante personagem nesta estória, claro que será necessário fazer uma apresentação cordial à mesma...
Nascida a 3 de Dezembro, e registada sob o nome de Dona Zulmira Pineti da Silva Costa Beneira Belize; (Foi o nome que se arranjou, não gostam, então enviem sugestões)
Sempre foi tratada pelos seus amigos como Zuzu Pineti, desde muito nova que gostava de jóias, já na escola fazia modelos Dior com clips de metal e pedras do recreio, sempre apostou num design vanguardista, nada comum para a época, e como tal levou a sua vontade de ser criadora de jóias até aos Estados Unidos, passando pela Rússia, e voltando a Portugal para a sua mais brilhante passagem com a abertura da sua loja “da Esquina” a única loja de bairro cotada na bolsa de Lisboa.
Filha de padeiro e fadista de Alfama, participava nas marchas populares elaborando desenhos de vestimentas e grelhando sardinhas pelas ruas do bairro...
Foi ela a responsável pela manutenção da conhecida marca Fabergé, que estava ao abandono e falida, ela comprou-a por 2 tostões e agora vale milhões...
De momento a sua grande paixão é produzir jóias exclusivas para famosos do cinema, na sua lojinha em Lisboa... BR

Terça-feira, Novembro 02, 2004

E agora, para algo completamente diferente, na sequência do post nº 2

Como os caros leitores já sabem, desvendámos no anteriormente referido post o nome da organização-chave na saga do Nhanhalaranha M. Jones, “A Confraria dos Pastéis”. Pois, agora mesmo, o co-autor resolveu desvendar mais um dos parâmetros necessários à total absorção mental da mesma organização...

Nome – A Confraria dos Pastéis
Género de Associação Criminosa -
Número de Membros -
Actividades Principais -
Plano para Conquistar o Mundo -
Origem –
O Porquê do Ódio a NMJ -
Capital Social -
Valor das Acções na Bolsa de Valores de Lisboa -
Quota de Sócio -
Líder –

E... trrrrrrrrrr... tttttt... rrrrrr... pópópópó... rátatatatata... O CAPITAL SOCIAL É DE 30.950 € !!!!! GM

Domingo, Outubro 17, 2004

E porquê o porquê um vilão?

Nota do co-autor: Ora bem, ora bem, ora bem! Um vilão tem de ter um porquê. Não há uma pessoa que acorde um dia, que esteja na casa de banho, ou que bata com a porta do escritório e diga: "Descobri a minha vocação!!! Sou um vilãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!!! (Isto com os braços levantados e com a câmara a girar enquanto ascende verticalmente) pois não?
Não!
Então pronto, nesta história, como em todas as histórias, tem de haver um vilão, um vilão com um porquê... Não é agradável arranjar uma razão para O Homem com Sombra de Camarão ser um vilão, como se pode ver no post anterior mas a vida de criativo inveterado, com requintes de non-sense predominantes no cérebro até ao ponto de não sair mais nada do mesmo é difícil. Sim, é.
Assim, deixo por aqui a nota do co-autor e umas reticências para o próximo post

...

GM

Sábado, Outubro 16, 2004

Porquê um vilão?

Nunca tivera antes, tanta vontade de se ver livre daquela sombra, que o perseguia durante todos esses anos; uma tão mais forte vontade do que daquela que se abatia sobre ele por todas as vezes em que no liceu era chamado de Tróia marisco. Tentando apagar esses penosos momentos da sua vida, cada vez mais se voltava para dentro, recusando qualquer contacto com o mundo que o rodeava.
Pensava muitas vezes em apagar o sol, pois ele era o responsável pela projecção dessa tão malograda sombra...Todos os dias surge na sua mente alguma tentativa de plano para acabar com a sua sombra, mas ao longo de tantas tentativas frustradas, acabou por deixar de tentar, e resignar-se a planear.
Das várias tentativas levadas a cabo por ele, podemos destacar umas quantas, visto que são de uma inteligência rara, e só mesmo saídas da cabeça de um tipo com sombra de camarão:
- Um dia lembrou-se de levar consigo uma lata de tinta negra para pintar todo o pavimento em que se projectasse a sua sombra; mas ao fim de uma semana, além de ter a policia à perna, tinha uma conta exorbitante no Aki de Alfragide (nop eles não fazem fiado, isto é uma história ok).
- Arranjou um chapéu de sol para se proteger, mas nem isso resultou, visto que nos transportes públicos não podia entrar, e deixava a populaça das redondezas muito lixada, pois não parava de meter as varetas nos olhos dos mesmos.
- Tentou um dia arranjar um fato feito de espelhos, quem sabe assim o sol não seria reflectido e a sua sombra desapareceria; claro está que não resultou.
- Foi até ao bruxo, o tão conhecido e experiente Professor Bambo, mas não falava francês. (Foi por causa dele que o Prof. Arranjou uma tradutora) Foi nesse tão carregado de espiritualidade, consultório que descobriu que se fizesse um Sagui estufado acompanhado de trufas brancas e espargos, a sua sombra ficaria igual à do comum mortal, e essa coisa estranha de camarão desaparecia para sempre...Saiu aos pulos de contente desse espaço trespassado a um comerciante na baixa por um valor superior ao que seria normal naquela zona habitacional, visto que não tinha uma área superior a 10 m2... Mas chega chitchat de imobiliário mal pago; e dirigiu-se à loja de animais mais próxima, procurando desesperadamente um sagui, sim porque as trufas já tinha, nasceram ao acaso num tal vaso que tinha no parapeito do seu apartamento; Para todos os que acham que não é possível que nasçam trufas num vaso de um apartamento, os meus parabéns, porque têm absoluta razão, mas também, a história é nossa, podiam até ter baleias num aquário certo? – Também o vilão tem sombra de camarão – how awkward is that? Mas como se estaria à espera, em nenhuma loja de animais encontrou o seu sagui... BR

Quinta-feira, Outubro 14, 2004

A saga do inspector Nhanhalaranha M. Jones

Capítulo 1 - O Homem com Sombra de Camarão

O Homem com Sombra de Camarão era sem dúvida um dos criminosos mais temidos na cidade de Lisboa nos anos 80. Enquanto se escutava o Rui Reininho em todas as esquinas, apesar de em algumas delas se escutar também os Sétima Legião, os UHF e até os Ban, O Homem com Sombra de Camarão continuava a sua saga de crimes hediondos. Percorrendo de bicicleta a cidade das Sete Colinas, de ponta a ponta, desde o Cais do Sodré ao Casal Ventoso e volta, tendo por isso uns gémeos dignos de registo ( atributo que, dizia-se em surdina, ao ouvido do interlocutor e a olhar para os dois lados, por vezes até com a mão a tapar a boca, lhe conferia um lugar respeitável na hierarquia da Confraria dos Pastéis), O Homem com Sombra de Camarão aterrorizava todas as pessoas que tinham medo, não só de homens com sombra de camarão, como as que tinham medo de camarão e também as que temiam o marisco em geral.

A sombra d'O Homem com Sombra de Camarão, de quem ninguém sabe o nome, embora se suspeite que em tempos se tenha chamado O Bebé com Sombra de Camarão e, mais tarde, O Rapaz com Sombra de Camarão, era em forma de camarão. Não há dúvida quanto a isso... Por mais sobretudos, casacos de penas, coletes, corpetes, chapéus, cartolas, véus e perucas que usasse, era distinta a maneira como uma forma semi-circular, com pequenos apêndices na parte côncava da mesma e longas projecções finas na parte a que supostamente corresponderia a cabeça se projectava pelo chão com uma inclinação correspondente ao oposto do ângulo que a posição do sítio onde O Homem com Sombra de Camarão se encontrava fazia com o Sol.

Um dia, mal acordado ainda e, após ter aberto os estores do seu quarto em Alfama e constatado mais uma vez, com uma miradela instintiva para trás de si, na direcção do chão, que a sua sombra ainda era em forma de camarão... GM

Quarta-feira, Outubro 13, 2004

E é então que continua...

Pero esto no es solamente un sitio donde se describiran las desventuras (si, porque las aventuras seran desgraciadas) de Nhanalaranha Malarranha Jones. Como todos pueden constatar, tendremos rábulas e rábulitas en Español, también en Frances, si possible en Italiano y en Inglês. Un sítio multicultural, pontuado con los relatos de todas las aberraciones que surjan en la vida de los co-autores y, adémas, muy, muy importante, decidido justamente ahora, la vida del pisce-gato ("peixe-gato") del aquário recen-instalado de uno de los co-autores. Vosotros no imaginéis lo que puede ocorrer dentro de 5 paredes de vidro y una tampa con lampada enbutida.

Ahora, como prémio para todos nuestros atentos e fidelizados leitores, por la ocasion de la segunda rábula de Mira Lo Rato, un pequeñito deslindar del arqui-enemigo de Nhanhalaranha Malarranha Jones:

Nome -
Género de Associação Criminosa -
Número de Membros -
Actividades Principais -
Plano para Conquistar o Mundo -
Origem -
O Porquê do Ódio a NMJ -
Capital Social -
Valor das Acções na Bolsa de Valores de Lisboa -
Quota de Sócio -
Líder -

E o nome é... "A Confraria dos Pastéis" !!! Buahahahahahah, buahahahaha, hihihi, róróró buahahahaha, coff, coff, coff... Pôrra! *

*(Nota do autor: para os nossos atentos e fidelizados leitores mais desatentos, o buahaha é a gargalhada típica e poderosa, sonoramente maquiavélica do vilão, o hihihi é um riso mais sádico e efeminado, o róróró, uma tentativa onomatopeica falhada por dez metros do grunhir típico das bessoas brejeiras a rir e o coff, coff, coff a típica tosse do catarro. O Pôrra é mesmo um Pôrra. Todos estes risos pertencem à mesma pessoa, o mesmo mau, malíssimo, maquiavélico, multimaquiavélico, abominável, desantropomórfico, estafilococófilo, apreciador de absinto com castanhas, O Grande ... - pois, isto só no próximo post poderão saber, burocracias da editora como decerto compreendem -) GM

Terça-feira, Outubro 12, 2004

E é então que surge....

Este é o futuro escritório do Inspector Nhanhalaranha M. Jones, e do seu sagui de estimação...
Como será a vida de um homem que além de pertencer aos Marcelistas anónimos, tem como prato favorito um sushi de farinheira e migas de bacalhau? BR