Libório e mais um
-Coff, coff… Prisioneiro Libório!
-Uuuuuuuuui!- Isto foi um grito mesmo estridente e… bicha.
-Já te disse para teres calma nesta história!
-Ah! Oquei. Diga inspector…-uma réstia de decência iluminava agora o discurso de Lili, neste momento apenas um Liborinho.
-Como é que sabe que eu sou inspector?
-Disseram-me… - o gesto de enrolar as madeixas longas do seu cabelo em volta do indicador foi acompanhado de um olhar furioso de NMJ e a madeixa caiu, enquanto a mão esquerda se ia agarrar à mão direita atrás das costas do prisioneiro – Só isso!
-Hum… E está disposto a prestar algumas declarações para ajudar na investigação?
-Hãããã. Tá bem! – este “tá bem” foi quase um agradecimento como aqueles que as mulheres que são salvas por bombeiros ou polícias de situações perigosíssimas e se apaixonam subsequentemente por eles lhe oferecem – Pode ser…
-Explique-me lá então, se faz favor, o que viu na noite em que o prisioneiro Jazelindo fugiu desta penitenciária.
-Ex-prisioneiro, desculpe lá!
-Grrunff! O ex-prisioneiro Jazelindo…
-Ora bem…
Libório disse muitas coisas a Nhanhalaranha. Disse-lhe para usar o número abaixo em termos de camisa que era capaz de lhe “acentuar um pouco mais os lindos ombros”, disse-lhe que assim que viu NMJ lembrou-se logo da cara de mau “daquele detective bonzão daquele filme violentíssimo… o Dick Tracy”, perguntou-lhe se não voltaria lá mais e, em termos de dados importantes para a investigação… nada!
Após um interrogatório mais másculo aos três polícias encarregados da secção C3, apurou que Jazelindo tinha andado mais pensativo do que o habitual nos dias antes da sua fuga. Um dos polícias disse inclusive que lhe parecia mais feliz, sonhador e até um homem mais novo, mais bonito. NMJ olhou-o de lado e entregou-se a uma contagem até dez interior, após o que lhes disse:
-Muito obrigado!
Dirigiu-se então ao seu escritório e pensou…
